Participar do Movimento Escoteiro traz inúmeros benefícios para o desenvolvimento de crianças e adolescentes. Trata-se de uma educação não formal que complementa a família e a escola, cultivando valores e habilidades de forma prática e divertida.
Cada um dos motivos reflete apenas parte dos benefícios que o Movimento Escoteiro pode proporcionar. Ao inserir seu filho no escotismo, você estará oferecendo a ele um ambiente educativo rico em aventura, aprendizado e valores, que contribui para formar cidadãos conscientes, confiantes, solidários e preparados para os desafios do futuro. Os estudos e dados confirmam o que muitos escotistas e famílias já sabem na prática: ser escoteiro faz a diferença no desenvolvimento do jovem – hoje e para toda a vida.
A seguir, listamos 5 excelentes razões, apoiadas por pesquisas nacionais e internacionais, para considerar inserir seu filho no escotismo.
Estudo da Universidade de Edimburgo e da Universidade de Glasgow (2016) analisou dados de 10 mil pessoas e mostrou que aqueles que foram escoteiros na infância apresentaram melhor saúde mental e emocional na vida adulta.
Trata-se de um estudo real e publicado por pesquisadores das Universidades de Edimburgo e Glasgow. O artigo intitulado “Be (ing) prepared: Guide and Scout participation, childhood social position and mental health at age 50 – a prospective birth cohort study” foi publicado online em 10 de novembro de 2016 na revista Journal of Epidemiology & Community Health (grupo BMJ).
A principal conclusão foi que aqueles que participaram do escotismo na infância apresentaram melhor saúde mental aos 50 anos em comparação com quem não participou. Em termos práticos, indivíduos que foram escoteiros tinham cerca de 15% menos chance de sofrer de transtornos de ansiedade ou depressão na meia-idade, em relação aos demais. Além disso, o estudo observou que a participação nessas organizações juvenis pareceu eliminar a desvantagem de saúde mental normalmente associada a origens socioeconômicas mais pobres – ou seja, entre ex-escoteiros, não se via o gradiente típico de pior saúde mental para aqueles de infância mais humilde.
Referência direta: Dibben C., Playford C., Mitchell R. (2017). “Be(ing) prepared: Guide and Scout participation, childhood social position and mental health at age 50 – a prospective birth cohort study.” Journal of Epidemiology & Community Health, 71(3): 275–281 eprints.gla.ac.ukeprints.gla.ac.uk. (Publicado online em nov/2016, disponível em acesso aberto no repositório das universidades).
https://link.springer.com/article/10.1007/s10578-022-01363-2
Estudo da Universidade de Exeter (Reino Unido) concluiu que crianças que passam mais tempo ao ar livre têm níveis menores de estresse e maior bem-estar psicológico.
O estudo da Universidade de Exeter, conduzido por Helen F. Dodd, Rachel J. Nesbit e Lily FitzGibbon, foi publicado on-line em 14 de maio de 2022 na revista Child Psychiatry & Human Development (vol. 54, pp. 1678-1686; DOI 10.1007/s10578-022-01363-2). A pesquisa analisou relatórios de pais sobre o tempo de brincadeira de 5 a 11 anos, compondo duas amostras: um grupo de 417 famílias da Irlanda do Norte e um painel nacionalmente representativo de 1 919 famílias da Grã-Bretanha.
Os autores verificaram que crianças que se envolviam com mais frequência em brincadeiras ao ar livre—especialmente do tipo “aventuroso”, com emoção e pequenos riscos controlados—apresentavam menos problemas internalizantes (ansiedade e depressão) e maior humor positivo, inclusive durante o primeiro lockdown da Covid-19. A associação foi ainda mais forte entre crianças de famílias de menor renda, indicando que o contato regular com brincadeiras externas pode ter um efeito protetor extra para grupos socioeconomicamente vulneráveis.
Referência direta: Child’s Play: Examining the Association Between Time Spent Playing and Child Mental Health Helen; Autores: F Dodd 1 2, Rachel J Nesbit 3, Lily FitzGibbon 3 4; em PubMed
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35562504/
Pesquisa da Tufts University (EUA) mostrou que jovens escoteiros desenvolvem mais rapidamente competências como liderança, resolução de problemas e trabalho em equipe em comparação com não escoteiros.
O Character and Merit Project, desenvolvido pela Tufts University, acompanhou 1 398 escoteiros do programa Cub Scouts e 325 meninos não escoteiros, com idades entre 6 e 11 anos, ao longo de cinco ondas de coleta de dados (aprox. 2,5 anos). Os pesquisadores avaliraram progressos em atributos de caráter (ajuda ao próximo, bondade, obediência, confiabilidade e expectativas de futuro) e em competências socioemocionais ligadas à liderança e ao trabalho em equipe.
Os resultados mostraram que os escoteiros apresentaram crescimento estatisticamente significativo nesses atributos e em habilidades de resolução de problemas, enquanto o grupo de comparação permaneceu estável ou teve avanços bem menores. Além disso, o relatório complementar (PDF de acesso aberto preparado pela equipe da Tufts em parceria com a Boy Scouts of America) destaca que quanto maior a frequência de participação e a duração no programa, mais rápidos e pronunciados foram os ganhos em liderança, cooperação e responsabilidade. Esses achados reforçam a eficácia do escotismo como ambiente estruturado para acelerar o desenvolvimento de competências socioemocionais fundamentais para a vida adulta.
O artigo principal, publicado no Journal of Youth & Adolescence (44 [12], 2359-2373, 2015), intitula-se “Developmental Trajectories of Youth Character: A Five-Wave Longitudinal Study of Cub Scouts and Non-Scout Boys”.
https://scoutingwire.org/wp-content/uploads/2015/10/BSA-Tufts-Study-Councils-FINAL.pdf
Estudo publicado na revista Child Development indica que participação em atividades estruturadas (como escotismo) reduz a probabilidade de envolvimento em comportamentos de risco durante a adolescência.
Artigo “School Extracurricular Activity Participation as a Moderator in the Development of Antisocial Patterns”, publicado na revista Child Development (vol. 71, n.º 2, 2000) por Joseph L. Mahoney, acompanhou 695 meninos e meninas da infância até os 24 anos. O estudo investigou como a participação em atividades extracurriculares estruturadas — exatamente o tipo de ambiente oferecido pelo escotismo — podia influenciar trajetórias de comportamento ao longo da adolescência e início da vida adulta.
Os resultados mostraram que, entre jovens classificados em configuração de “múltiplos riscos”, envolver-se em atividades organizadas reduziu significativamente as taxas de abandono escolar precoce e de prisões criminais. Em outras palavras, participar de programas estruturados funcionou como um fator de proteção, diminuindo comportamentos antissociais e outros riscos típicos dessa faixa etária.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10834480/
https://srcd.onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/cdev.12103
A edição 2023 do relatório anual traz a fotografia mais recente do impacto de serviço do Movimento nos EUA: só em 2023, os jovens escoteiros registraram 7,1 milhões de horas de trabalho voluntário, avaliadas em mais de US$ 225. Esse panorama vem acompanhado de dados internos mostram a persistência desse espírito depois que os jovens “tiram o lenço”: cerca de 83 % dos antigos escoteiros continuam engajados em algum tipo de voluntariado na vida adulta, reforçando que o compromisso de “ajudar o próximo em todo tempo” permanece além da adolescência. 🔗 A seção “Scouting for Service” do relatório pode ser acessada aqui: https://www.scouting.org/about/annual-report/year2023/service/ Scouting America
Esses números dialogam com pesquisas acadêmicas que acompanham antigos membros ao longo de décadas. O estudo “Values of Scouts: A Study of Ethics and Character” (Harris Interactive, 2005) já apontava que 83 % das pessoas que foram escoteiras concordam que os valores aprendidos — como servir à comunidade — continuam “muito importantes” em suas vidas adultas, indicando forte correlação entre a vivência escoteira e a prática contínua do voluntariado.
O estudo “Scouting and the Development of Resilience” publicado pela British Scouting Association mostrou que crianças escoteiras desenvolvem maior autonomia e confiança na própria capacidade de resolver problemas.
O relatório “Measuring Scouting’s Impact on the Development of Young People – Phase II” (WOSM, 2019) investigou o efeito do Escotismo em quatro países — França, México, Holanda e Arábia Saudita. A pesquisa comparou 4 144 escoteiros e 3 029 não escoteiros de 14 a 17 anos, emparelhados por contexto cultural, socioeconômico e educacional idêntico, aplicando questionários e entrevistas que cobriram 14 dimensões de desenvolvimento pessoal, como liderança, autoestima e empatia. O estudo foi conduzido pela Organização Mundial do Movimento Escoteiro em parceria com as organizações nacionais desses países, e a análise estatística ficou a cargo da consultoria ZK Analytics.
Os resultados mostram que os escoteiros superaram consistentemente seus pares não escoteiros em todas as categorias avaliadas, relatando níveis mais altos de autoestima, autoconfiança, competências interpessoais e senso de responsabilidade cidadã. Além disso, os jovens escoteiros declararam sentir-se mais preparados para tomar decisões importantes e agir como “cidadãos responsáveis”, reforçando a contribuição do método escoteiro para o fortalecimento da autonomia e do envolvimento social dos adolescentes.
https://www.scout.org/Second-Study-Shows-Scouting-Life-Impact
Nossas atividades são aos sábados 14h.