Uma Jornada Fora da Terra

Uma Jornada Fora da Terra

Acampamento Escoteiro leva Jovens a Vivência Única de Cooperação e Descoberta.

Durante três dias intensos, o Grupo Escoteiro Paineiras levou seus jovens a uma experiência fora do comum — literalmente fora da Terra. Em meio à natureza e ao universo da ficção científica, o acampamento “Mochileiros da Galáxia 2025” marcou mais do que uma atividade escoteira: foi um mergulho profundo em valores humanos, amizades reais e descobertas pessoais.

Realizado entre os dias 19 e 21 de junho, no Instituto ECO, em São Bernardo do Campo, o evento reuniu mais de 60 jovens — entre crianças e adolescentes — acompanhados por uma equipe dedicada de adultos voluntários. Inspirado na irreverente e filosófica obra “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, o tema deu um toque criativo e curioso à programação. Mas, por trás do humor e da estética espacial, o acampamento teve como missão desenvolver competências essenciais como liderança, convivência e empatia.

Inspirado na irreverente e filosófica obra “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, o tema deu um toque criativo e curioso à programação.

Tudo começou ainda na sede do grupo, com um “alerta intergaláctico” dramatizado por um dos chefes: a Terra seria demolida para dar lugar a uma via expressa espacial. Diante dessa notícia fictícia, cada jovem recebeu uma toalha (símbolo do viajante interestelar), e um punhado de amendoins — e embarcou em um ônibus rumo ao desconhecido.

Nós criamos uma atmosfera lúdica que prende a atenção, mas o objetivo é muito concreto: ensinar a viver em grupo, respeitar o próximo e entender o seu papel dentro de uma comunidade.

Assim que chegaram ao local, os jovens organizaram seus próprios campos, montando barracas, delimitando espaços e assumindo responsabilidades. Em seguida, cada faixa etária mergulhou em atividades especialmente planejadas para seus desafios e interesses, promovendo aprendizado, diversão e espírito de equipe desde o primeiro momento.

Em nossa primeira noite, o cansaço tomou conta. Estava tudo cuidadosamente planejado, mas, ao observarmos o ritmo dos jovens após a montagem dos acampamentos, optamos por uma pausa. Acendemos uma fogueira simples, sem pressa, e deixamos o momento fluir livremente.

Acendemos uma fogueira simples, sem pressa, e deixamos o momento fluir livremente.

Entre conversas espontâneas, risadas tímidas e olhares curiosos para o céu estrelado, cada um encontrou seu jeito de chegar ao acampamento. E assim, sem grandes roteiros, vivemos uma noite tranquila — cheia de conexão e acolhimento.

Sexta feira foi um dia intenso, a alvorada foi cedo, com bandeira ao nascer do sol, e desde então os jovens mergulharam em uma programação cheia de atividades ao ar livre, desafios em equipe e momentos de aprendizagem.

Cada faixa etária teve vivências pensadas para seu desenvolvimento, promovendo autonomia, cooperação e diversão. À medida que o sol se punha, a energia do grupo se transformava: do ritmo acelerado dos jogos para o silêncio respeitoso que antecede o momento mais simbólico de todos os acampamentos.

A noite seguiu com a tão aguardada Noite das Fantasias, onde criatividade e bom humor tomaram conta do campo. Cada jovem deu vida a um personagem intergaláctico — com roupas improvisadas, capas, antenas ou detalhes luminosos.

Outro momento emocionante foi o Fogo de Conselho, uma tradição escoteira repleta de música, histórias e esquetes criadas pelos próprios jovens. Neste ano, o foguete simbólico foi lançado com emoção (ainda que, na prática, o foguete tenha ficado pelo caminho kkkk — o que virou piada interna e aprendizado).

Com a fogueira acesa, as esquetes animavam a roda quando “Jurandir” surgiu de surpresa, arrancando risos e sustos. Labaredas azuladas se ergueram, tingindo a noite com um brilho quase místico. Nos rostos iluminados dos jovens, era possível ver que aquele instante transcendia a tradição: tratava-se de uma conexão genuína entre o grupo, as emoções que pulsavam no peito e todo o simbolismo do acampamento.

Já no último dia, logo após o café da manhã, os jovens participaram de uma atividade espiritual. Nela, escreveram mensagens pessoais para o “eu do futuro”, falando de sonhos, sentimentos e propósitos. Cada texto foi depositado simbolicamente no foguete da cápsula do tempo, que foi lançado aos confins. Foi um dos momentos mais silenciosos e significativos do acampamento.

“Ver crianças de 7 a 17 anos escrevendo com tanta verdade sobre o que desejam para si mesmos é um lembrete do quanto o escotismo vai além da aventura. Ele fala sobre humanidade”

Claro que nem tudo foi fácil. Houve cansaço, saudade dos pais, desafios na organização das mochilas e até jovens que dormiram de mais no primeiro amanhecer kkk. Mas esses percalços são parte do processo educativo. É no enfrentamento das dificuldades — e na superação coletiva — que se forma o verdadeiro espírito escoteiro.

Nos bastidores do acampamento, a equipe da cozinha foi responsável por um verdadeiro desafio logístico e humano. Ao longo dos 3 dias de evento, foram servidas mais de 11 refeições completas: 3 cafés da manhã, 3 almoços, 2 jantares e ao menos 3 cafés da tarde — além de ajustes e reforços de última hora sempre que necessário. Tudo isso preparado e distribuído para cerca de 60 pessoas, entre jovens e adultos. Desde o preparo até a limpeza, passando pela montagem dos pratos e controle de dietas específicas, a equipe atuou com dedicação, pontualidade e muito carinho. A cozinha não apenas alimentou os corpos — ela sustentou o ritmo do acampamento e acolheu a todos com cuidado em cada detalhe.

A experiência foi conduzida dentro dos padrões de segurança da União dos Escoteiros do Brasil, com transporte autorizado, fichas médicas atualizadas e apoio emergencial no local. Além disso, toda a programação foi pensada para atender às diretrizes pedagógicas do Movimento Escoteiro, que valoriza a autonomia, a vida ao ar livre, o desenvolvimento pessoal e o serviço ao próximo.

No retorno para casa, os jovens voltaram cansados — mas cheios de histórias. Mais do que fotos e lembranças, trouxeram na bagagem experiências que moldam o caráter, fortalecem amizades e despertam vocações.

Para os pais e familiares que acompanharam tudo à distância, fica o convite à reflexão: talvez o escotismo seja mais do que uma atividade extracurricular. Talvez seja um caminho. Um espaço onde os filhos aprendem a olhar o mundo de forma diferente — com coragem, curiosidade e propósito.

Porque no final, o verdadeiro sentido da vida, do universo e tudo mais… pode começar com uma mochila nas costas, uma toalha nas mãos e o coração aberto para o próximo.

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